Arquivo mensal: maio 2012

Revolução Inglesa

A Revolução Inglesa do século XVII representou a primeira manifestação de crise do sistema da época moderna, identificado com o absolutismo. O poder monárquico, severamente limitado, cedeu a maior parte de suas prerrogativas ao Parlamento e instaurou-se o regime parlamentarista que permanece até hoje. O processo começou com a Revolução Puritana de 1640 e terminou com a Revolução Gloriosa de 1688. As duas fazem parte de um mesmo processo revolucionário, daí a denominação de Revolução Inglesa do século XVII e não Revoluções Inglesas. 
Esse movimento revolucionário criou as condições indispensáveis para a Revolução Industrial do século XVIII, limpando terreno para o avanço do capitalismo. Deve ser considerado a primeira revolução burguesa da história da Europa: antecipou em 150 anos a Revolução Francesa. 

A Guerra Civil (1641 – 1649):
A guerra civil foi, basicamente, a disputa de interesses entre a aristocracia absolutista anglicana e a burguesia parlamentarista puritana, liderada por Oliver Crommonwelth. Oliver Crommonwelth representava a burguesia puritana, a qual venceu a guerra civil e implantou a República. Foi a primeira vez que o Parlamento inglês decapitou um rei na história.

A Revolução Puritana (1649-1658)

O governo de Oliver Cromwell atendia os interesses burgueses. Quando começou a haver rebeliões na Escócia e na Irlanda, ele as reprimiu com brutalidade. Oliver procurou eliminar a reação monarquista. Fez uma “limpeza” no exército. Executou os líderes escavadores (estes eram trabalhadores rurais que queriam tomar terras do estado, nobreza e clero). Com tantas execuções os menos favorecidos ficaram a “mercê da sorte” e acabaram por entrar em movimentos religiosos radicais.

Uma medida para combater os holandeses e fortalecer o comércio foi os Atos de Navegação. Essa lei resumia-se no seguinte: o comércio com a Inglaterra só poderia ser feito por navios ingleses ou dos países que faziam negócios com a Inglaterra.

 Em 1653, Oliver autonomeou-se Lorde Protetor da República, seus poderes eram tão absolutos quanto de um rei. Mas ele recusou-se a usar uma coroa. Embora na prática agisse como um soberano. Com apoio dos militares e burgueses, impôs a ditadura puritana, governando com rigidez e intolerância, e com idéias puritanas. Ele morreu em 1658 e seu filho Richard Cromwell assumiu o poder. Mas este logo foi deposto em 1659.

 

A Volta dos Stuart e a Revolução Gloriosa (1660 -1688)

Carlos II, (1660 – 1685) da família Stuart, é proclamado rei da Inglaterra com poderes limitados. Estreitou ligações com o rei francês Luis XIV, isto logo manchou sua reputação com o parlamento. Carlos II baixou novos Atos de Navegação favoráveis ao comércio inglês. Envolveu-se na guerra contra a Holanda. Com essas atitudes o parlamento ficou dividido em dois grupos: os whigs, que eram contra o rei e favoráveis às mudanças revolucionárias além de serem ligados a burguesia, e os tories que eram defensores feudais e ligados à antiga aristocracia feudal. 

Jaime II (1685 – 1688) com a morte de Carlos II, seu irmão Jaime II assume o governo. Este tomou medidas drásticas, quis restaurar o absolutismo, o catolicismo, também punia os revoltosos  com a negação do hábeas corpus, o parlamento não tolerou esse comportamento e convocou Maria Stuart, filha de Jaime II e esposa de  Guilherme de Orange, para ser a rainha, com isso o rei foge para a França e Maria Stuart e seu esposo tornaram-se monarcas ingleses. Este assinou a Declaração dos Direitos (o rei não podia cancelar as leis parlamentares; o reino poderia ser entregue a quem o parlamento quisesse, após a morte do rei; inspetores controlariam as contas reais; e  o rei não deveria manter um exército em épocas de paz), o qual concedia amplos poderes ao Parlamento. Esta foi à Revolução Gloriosa.

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Revolução Americana

A Revolução Americana teve início no final do século XVIII, e se deu em grande parte pelo endividamento da Inglaterra devido a Guerra dos Sete Anos. As atividades econômicas antes livres, na colônia, começaram a ser controladas. Foram criadas as Leis do Açúcar, do Selo, e também do Chá, que cobravam altas taxas dos colonos.

Como era de se esperar os colonos se rebelaram e os Ingleses tomaram mais medidas que acarretariam à revolta do povo.  Como na revolução Inglesa, estava certo que haveria uma revolução na América.

No segundo Congresso Continental foi redigido por Thomas Jefferson a Declaração de Independência. Os americanos, a partir daí, lutaram arduamente para que conquistassem suas liberdades e em 1783 foi assinado pelos Ingleses o reconhecimento da Independência das Treze Colônias.

Sobre as Revoluções

A primeira Revolução Burguesa foi a Inglesa – Puritana e Revolução Gloriosa, do século XVII, que legou o Parlamentarismo, a garantia dos direitos individuais, a liberdade de expressão e a tolerância religiosa asseguradas pela declaração dos direitos (“Bill of Rights”).

A herança da Revolução Inglesa, as contradições entre Absolutismo e capitalismo, a sociedade de ordens e privilégios, a intolerância e o fanatismo religioso geraram no século XVIII o Iluminismo, movimento filosófico, de caráter racional, anti-absolutista e anticlerical, que defendeu o fim do Absolutismo e sua substituição por governos liberais. O projeto iluminista-liberal influenciou a independência das colônias e as revoluções liberais burguesas dos séculos XVIII e XIX.

Com base no ideário iluminista, a Revolução Francesa substituiu o Absolutismo e o mercantilismo pelo liberalismo político e econômico, a aristocracia pela burguesia no poder. Conquistou a liberdade de imprensa, de expressão e de cultos. Ao estabelecer a igualdade perante a lei, trocou o nascimento pela riqueza como critério de divisão social.

A Revolução Industrial implantou a fábrica mecanizada, criou uma nova classe social, o proletariado, submetida à rígida disciplina e à intensa divisão do trabalho, gerando a fragmentação do conhecimento e a perda da criatividade pelo trabalhador. O sistema fabril desenvolveu o corpo em detrimento da mente; estimulou o progresso, mas agravou a exploração; fragmentou o trabalho, mas promoveu a concentração urbana e operária.

As revoluções Francesa e Industrial consolidaram o capitalismo e, com ele, produziu-se uma série de contradições. Com a transformação da riqueza, do dinheiro e da propriedade nas bases da nova sociedade, os setores populares foram excluídos. Sob as promessas de autonomia individual, foram impostas a massificação e a disciplina operária; sob os ideais de liberdade, igualdade e fraternidade, impôs-se a propriedade privada, o individualismo, o culto do “ter” em detrimento do “ser”. Essas contradições que provocaram greves, protestos dos trabalhadores e o surgimento de novas ideologias como o socialismo e o anarquismo no século XIX.