Independência ou Morte..?

Todos nós vimos na escola aquela visão oficial de nossa história, com D. Pedro gritando às margens do rio Ipiranga de espada em punho o brado retumbante de “independência ou morte”. Sabemos que normalmente a história oficial costuma dourar a pílula, e isso não é prerrogativa exclusiva do Brasil.

Bem, o culpado, em parte, é o pintor Pedro Américo, que pintou um quadro com soldados bem fardados, enfiou uma colina no vale do Ipiranga e trocou o pangaré de D. Pedro I por um cavalo alazão. E a data é puramente simbólica, já que a independência propriamente dita ainda demorou uns anos e custou uma senhora grana à título de indenização pago à Portugal.

Voltando da cidade de Santos, D. Pedro e sua comitiva cavalgam em direção a São Paulo. À frente, montado em uma mula, vai o prícipe regente, ladeado por seu conselheiro Gomes, mais conhecido como Chalaça, cuja principal função é ajudar o príncipe em suas escapulidas sórdidas. Ambos conversam:

– Chalaça, acho que aquele doce de ovos queimados não me caíram bem…
– Vossa alteza é que exagerou na sobremesa. Comeu demais.
– O que eu queria mesmo era aquela formosura…
– Dona Domitila? Bem que desconfiei… Ela não é casada?
– Tudo bem não sou ciumento. Rêêêê!…
– Depois eu é que sou o Chalaça. Cara mais gaiato…
– Mas tirando essa dor de barriga, esta viagem foi proveitosa. Botamos ordem em São Paulo e os Andrada no poder de novo. Pelo menos Bonifácio não me torra mais a paciência com este assunto.
– Falando em torrar a paciência, como está seu pai? Ele tá digerindo bem esta sua história de se recusar a voltar a Portugal?
– Não me fale em digestão! A minha não está das melhores. E não esquenta com o meu pai. Eu tou enrolando ele. Não viu no início do ano? Fiquei dizendo que irira voltar. Mas acabei ficando mesmo.
– Sei não, Pedro. Teu pai até que é tranquilo, mas o fresco do seu irmão Miguel e aquela rapariga de cego da Carlota enchem a cabeça de D. João.
– Ela enche a cabeça de meu pai é de chifre. Ela deve ter ficado com todo mundo na guarda! E além disso… Ai!
– Que foi?
– Vamos dar uma paradinha estratégica. Ui…
– Que foi? São os ovos queimados?
– Queimado vai ficar meu **. Com licença…
Com a rapidez de um raio, D. Pedro desce da mula e corre para uma moita às margens do rio Ipiranga. Escutam-se gemidos e som de flatulências.
– O négocio aí tá brabo, né Pedro?
– Dane-se, Chalaça. Mais uma piadinha e você vai precisar voltar a enganar velhas viúvas para poder se relacionar.
Enquanto o príncipe fazia sua necessidade, dois cavaleiros aproximam-se. Ambos descem de suas montarias e dirigem-se ao Padre Belchior, que acompanhava a comitiva.
– Onde está o príncipe?
– Está, digamos, ocupado.
– Temos uma mensagem urgente da Corte de Portugal.
– Vou chamá-lo. Esperem.
O Padre se aproximou da moita com os papéis.
– Vossa alteza, dois estafetas reais com decretos…
– Mas que hora! Diga-lhes que não ligo para eles e os decretos!
– Mas são estafetas…
– Está dificil, isso sim! Vou é jogar estes decretos fora!
– Não é melhor o Padre ler antes? – Intervem Chalaça.
– Que seja. Manda ver Padre!
Belchior lê os papéis em silêncio. D. Pedro se aborrece.
– Fala logo!

” Meu filho Pedro,
Tá na hora de acabar esta farra. Você tá muito teimoso e precisa de um exemplo. Volte para a Europa, que a corte tá muito brava com suas presepadas e desmandos aí neste “**-de-judas”. Estamos anulando todas as suas ordens.
D. João VI

P.S.: Quem manda nisso sou eu!”

– NÃO, pardal! – responde D. Pedro, que sai da moita, ajeitando as calças. Pega os papéis do Padre e os lê.
– Bem que lhe falei, Pedro. E agora? Acabou tudo?
– É o que vamos ver.
Ao subir na mula, o Regente fala à guarda de honra que o acompanha:
– Escuta aí, ô cambada! Eu tou com a gôta! E quero mais é que a corte de Portugal se dane pra lá! Eu sou mais eu! Arranquem de suas fardas as fitas de Portugal! Tá anotando, Chalaça?
– Sim Senhor. “Independência ou morte…!
– Não foi isso que falei!
– Vamos convir que isso fica melhor em documento oficiais do que mandar a corte se danar.
– Tá, tem razão. Que seja. Independência ou Morte, Porra! – Grita, já erguendo a espada. O pessoal da guarda se entreolha, confusos e sem muito entusiasmo. Então D. Pedro grita:
– Tá todo mundo de folga hoje a noite. Bedida e mulheres por minha conta!
A gritaria é geral, com os guardas arrancando as fitas com as cores portuguesas e jogando-as para o alto.
– Você sabe animar a multidão, majestade.
– É isso aí. E obrigado pelo majestade.
– Com essa sua diarréia, você vai para o trono antes do que imagina.
– Palhaço. Vamos embora que eu ainda tenho que compor um hino ainda hoje, antes de começar a farra.

Censurado!

http://crazymann.kit.net/historia/arquivo/indepen.htm

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