A Guerra de Secessão (1861-1865)

A região Norte dos Estados Unidos era a mais industrializada do país, em contraste com os estados do Sul, predominantemente agrícolas. A principal característica das zonas rurais sulinas consistia na plantation, grande propriedade monocultora, cuja produção, voltada para a exportação, dependia do trabalho escravo. O Sul produzia grande quantidade de algodão, exportado principalmente para a Inglaterra, onde era utilizado na indústria têxtil em franca expansão.

         A burguesia do Norte do país fazia sérias restrições aos senhores de terras do Sul. A maior crítica dizia respeito ao trabalho escravo, que acreditavam, deveria ser extinto e gradativamente substituído pelo trabalho assalariado; desta forma os trabalhadores sulistas poderiam comprar os produtos fabricados no Norte. Além disso, a população do Norte apoiava o protecionismo alfandegário, isto é, o aumento das taxas de importação, para que os produtos nacionais concorressem no mercado interno em igualdade de condições com os produtos ingleses e de outras procedências.
         A aristocracia rural do Sul, interessada em continuar vendendo seus produtos para a Inglaterra e importando os artigos manufaturados de que necessitava, batia de frente com o Norte ao defender o livre-cambismo, ou seja, uma política de liberdade comercial sem taxas protecionistas.
         A essas diferenças de fundo econômico se somavam outras de cunho cultural. No Norte, havia um grupo empresarial dinâmico e empreendedor, interessado no desenvolvimento nacional. No sul porém, continuava predominar a mentalidade rural, aristocrática, voltada aos interesses regionais, por isso mesmo, dava-se mais importância à autonomia dos estados do que o fortalecimento do país.
         Além de todas essas diferenças, havia ainda razões ideológicas em jogo. No Norte, a campanha abolicionista se intensificava e surgiam movimentos de caráter democrático e até mesmo socialista que também estavam a favor da emancipação dos escravos. Em 1833, por exemplo, Willian Garrisson e outros líderes abolicionistas fundaram a Sociedade americana contra a Escravidão. Garrison defendia a abolição sem indenização aos escravistas, o que os deixava ainda mais furiosos.
         Em meio a esses embates, em 1860 foi eleito presidente dos Estados Unidos o Nortista Abraham Lincoln, membro do Partido Republicano. Adepto de uma política protecionista, Lincoln opunha-se a escravidão e ao espírito autonomista dominante nos estados do Sul. A reação das elites na Carolina do Sul, um dos estados escravistas foi proclamar sua separação do restante do país. Em seguida, dez outros estados sulistas fizeram o mesmo. Juntos, eles formaram uma nova estrutura política nacional, osEstados Confederados da América, o novo país tinha sua capital em Richmond, na Virgínia. Para governá-lo foram eleitos Jefferson Davis, presidente e Alexander Stephens, vice-presidente. Nem todos os estados escravistas apoiaram os rebeldes. o Kansas e o Missouri, por exemplo, permaneceram integrados aos Estados Unidos, sem abolir o regime de trabalho escravo.
         Em 12 de abril de 1861, Lincoln declarou guerra à Confederação. O conflito que se seguiu seria mais tarde considerado a primeira das grandes guerras modernas, com um saldo de 620 mil mortos.
         As condições do Norte no confronto eram de indiscutível superioridade. Mais industrializado do que o Sul, contava também com uma malha ferroviária mais moderna e extensa. Além disso, as armas de que dispunham eram produzidas em suas próprias fábricas, enquanto que a Confederação dependia da importação de material bélico. As duas populações também eram desiguais em número e na composição social e étnica. Enquanto o Norte somava 23 estados, com uma população de 28 milhões de pessoas – constituída em quase sua totalidade de pessoas livres, descendentes de europeus -, o Sul contabilizava onze estados com 9 milhões de habitantes, um terço dos quais de origem africana. Para complicar ainda mais a situação do Sul, a Confederação também não conseguiu apoio à sua causa no exterior: a escravidão era, a sua altura, condenada pela opinião pública de todas as grandes nações.
         Não foi surpresa, então, que os sulistas tenham sido derrotados, apesar de sua forte resistência. Depois de quatro anos de sangrentos combates, os nortistas venceram em Appmattox, na Virgínia, a última batalha da guerra. No mesmo dia, 9 de abril de 1865, o comandante das forças rebeldes, general Robert Lee, rendeu-se ao comandante do exército do governo, general Ulysses Grant.
         Em 1863, ainda durante o conflito, Lincoln decretou o fim da escravidão nos estados rebeldes. No ano seguinte, conseguiu se reeleger presidente dos Estados Unidos, mas não chegaria a exercer o segundo mandato. Em 14 de abril de 1865, quatro dias depois do fim da guerra, Lincoln foi assassinado no interior de um teatro pelo ator sulista John Booth.
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